Na Bahia, contracheques emitidos com erros prejudicam docentes

Publicado em 27 de Fevereiro de 2019 às 17h02

Repetindo a situação de janeiro, os contracheques de fevereiro dos servidores da educação estadual baiana apresentaram diversos erros de cálculo. Isso se deve a um erro no sistema RH Bahia, implementado no início do ano para gerenciar os salários dos servidores da educação. Docentes das quatro universidades estaduais da Bahia (Uneb, Uesb, Uesc e Uefs) verificaram erros em seus contracheques.

Sistema RH Bahia foi implementado apenas para os servidores da Educação e desde janeiro apresenta erros

Cálculo errado da contribuição previdenciária, desconto do imposto de renda e não pagamento do auxílio-alimentação foram alguns dos problemas relatados. Até o momento, todas as contas incorretas resultaram em prejuízo aos servidores. Em janeiro, houve trabalhadores ficaram sem receber seus salários sendo pagos posteriormente em folha adicional.

A situação ocorre depois da mudança do sistema para o RH Bahia, software que passou a organizar a gestão de pessoas no Estado. O projeto visa aumentar o poder de controle do governo sobre o pagamento dos servidores e fere a autonomia universitária, denunciam docentes.

“O governo Rui Costa [PT] implantou esse sistema para tirar a autonomia das universidades, como aconteceu, por exemplo, no Paraná. A ideia dele é tirar a autonomia na gestão da folha e centralizar tudo no governo”, reclama Sergio Barroso, presidente da Associação dos Docentes da Universidade do Sudoeste da Bahia (Adusb Seção Sindical do ANDES-SN).

Barroso ressalta que os servidores da educação estão servindo de cobaia para o sistema, que foi implementado apresentando diversos erros. “É um absurdo que professoras e professores passem por isso. Os salários estão congelados há quatro anos e a contribuição da previdência foi aumentada. Agora o governo ‘erra’ a folha de pagamento dos servidores, mas sempre para menos. O governador Rui Costa [PT] a cada dia cria novas formas de atacar o funcionalismo público da Bahia. Isso só comprova o desrespeito do governo com o funcionalismo”, critica.

O presidente da Adusb SSind. orienta todos os docentes e demais servidores a conferirem seus contracheques. Segundo ele, como o sistema passou a ser gerenciado pelo governo e não mais pelas universidades, os Recursos Humanos das universidades não conseguem identificar os erros.

“A orientação é que os professores imprimam o contracheque, tirem cópia e encaminhem por email para o setor de RH das universidades, para que esses setores enviem para o governo para correção. Porque os setores de RH das universidades têm os espelhos dos contracheques, mas nesses espelhos não constam os erros. O problema está no contracheque emitido pelo sistema do governo, o RH Bahia”, explica.

Sérgio reforça que cada professor deve conferir o seu contracheque e reclamar, porque senão o governo não irá corrigir. “O setor de RH da universidade não tem como conferir e consertar. E o governo não fará isso se não houver reclamação, pois não está preocupado com a perda dos servidores”, alerta Barroso.

As seções sindicais do ANDES-SN estão acompanhando a situação e pressionando para que a categoria docente não seja prejudicada.

* Com informações e imagem da Adusb SSind.

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