Metalúrgicos protestam contra fechamento da Ford no ABC Paulista

Publicado em 26 de Fevereiro de 2019 às 17h41

Metalúrgicos saíram às ruas de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, para protestar contra o fechamento da fábrica da Ford na cidade. A ideia da empresa estadunidense é encerrar as atividades da fábrica ainda nesse ano. Caso o fechamento seja concretizado, serão demitidos 2800 trabalhadores. Também serão afetados milhares de terceirizados, além de trabalhadores da região que dependem indiretamente da fábrica. O protesto aconteceu na terça-feira (26).

Protesto de metalúrgicos no ABC Paulista

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC chamou a mobilização, que ocorreu mesmo debaixo de chuva. Na porta da Ford em São Bernardo era possível ver vários trabalhadores com cartazes contra o fechamento da fábrica. “Ford Não Fode”, “Não vou desistir do meu emprego” e “Não compre um Ford até a fábrica decidir ficar” eram algumas das frases expostas na manifestação. O sindicato também se prepara para ir à sede da Ford nos Estados Unidos, onde tentará impedir o fechamento da fábrica paulista.

A fábrica da Ford em São Bernardo foi construída em 1967. Atualmente, são produzidos lá os caminhões da marca, além dos carros Ford Fiesta. A ação de fechamento é parte do plano de reestruturação internacional da empresa. A Ford estabeleceu recentemente parceria com a Volkswagen para fabricação de veículos utilitários. O anúncio do encerramento da atividade da Ford em São Bernardo acontece depois da GM ameaçar fechar plantas no Brasil e na América do Sul.

Em nota, a CSP-Conlutas afirmou que “repudia a decisão e anúncio da empresa, se solidariza com os trabalhadores e chama a luta unificada nas montadoras, no Brasil e internacionalmente, para barrar tais ataques”. A Central também exige que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) intervenha na situação para garantir o emprego dos trabalhadores.

Fechamento da fábrica gerará 2800 demissões diretas

Na Bélgica, Ford pagou 750 milhões de dólares a trabalhadores

Em 2014, a Ford fechou sua fábrica em Genk, na Bélgica. Após muita pressão e luta, o movimento sindical belga não conseguiu impedir o fechamento da fábrica, mas conquistou grandes indenizações. Graças a leis trabalhistas protetivas, cada trabalhador da Ford na Bélgica recebeu 190 mil dólares de indenização.

A Ford acabou gastando 750 milhões de dólares para pagar a rescisão dos 4 mil trabalhadores da fábrica em Genk. O fechamento da fábrica na cidade acabou gerando a perda de emprego de outros 6 mil trabalhadores, que dependiam indiretamente da indústria automotiva.

Com informações de CSP-Conlutas, Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e Folha de S. Paulo. Imagem de Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

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